Estoque é a despesa que ninguém sente sair do bolso. Já foi paga, está guardada e continua sendo dinheiro seu. Em clínicas pequenas, é comum encontrar de dois a quatro meses de faturamento imobilizados em armários que ninguém confere há muito tempo.

Os dois prejuízos opostos

Toda decisão de estoque equilibra dois riscos:

  • Estoque demais prende dinheiro, ocupa espaço e esconde perdas por validade, o que é especialmente traiçoeiro na saúde.
  • Estoque de menos cancela procedimento, força compra de emergência a preço cheio e deixa o paciente esperando.

O objetivo não é ter o menor estoque possível. É ter o estoque certo, com o menor dinheiro parado que ainda garanta o atendimento.

Curva ABC: nem todo item merece a mesma atenção

Uma pequena parte dos itens costuma responder pela maior parte do dinheiro gasto. A curva ABC organiza isso:

  • Itens A: cerca de 20% dos itens e 80% do valor. Contagem semanal, ponto de pedido definido e cotação com mais de um fornecedor.
  • Itens B: valor intermediário. Contagem quinzenal ou mensal.
  • Itens C: muitos itens de pouco valor. Contagem mensal e foco em nunca faltar, sem comprar mais do que se usa antes de vencer.

Classifique pelo valor consumido no ano (preço vezes consumo), e não pelo preço unitário. Um item barato usado o tempo todo pode ser classe A.

Ponto de pedido: a conta que evita a compra de emergência

O ponto de pedido é o nível em que a reposição precisa ser feita para que o material chegue antes de acabar.

Estoque de segurança =Consumo médio diário × Prazo de entrega (dias)
Ponto de pedido =(Consumo médio diário × Prazo de entrega) + Estoque de segurança

Um exemplo: um consultório usa cerca de 2 caixas de luvas por dia, e o fornecedor entrega em 7 dias. O estoque de segurança é de 14 caixas, e o ponto de pedido é de 28 caixas. Quando o armário chegar a 28, o pedido é feito, e não quando “estiver acabando”.

O estoque de segurança cobre um prazo de entrega inteiro porque existe para o pior cenário: o material chega com problema, precisa ser devolvido e um novo pedido leva mais uma semana.

Validade: o prejuízo que ninguém anota

Para insumos que vencem, vale a regra primeiro que vence, primeiro que sai: material novo sempre atrás do antigo. Três hábitos reduzem muito as perdas:

  1. Etiqueta de vencimento em letra grande na frente de cada caixa.
  2. Revisão mensal dos itens que vencem nos próximos 90 dias.
  3. Registro de toda perda como despesa, numa linha própria. No fim do trimestre, o número costuma surpreender.

Defina também um teto

O ponto de pedido protege o limite de baixo. Falta o limite de cima: evite ter mais de três meses de cobertura de qualquer item e nunca mais do que a validade restante permite consumir. Caixa parada até vencer não foi barganha, foi desperdício.

Uma rotina mínima de estoque

  1. Faça um inventário completo uma vez: quantidade, validade e preço.
  2. Classifique os itens em A, B e C.
  3. Defina o ponto de pedido dos itens A e B e escreva o número na prateleira.
  4. Tenha um dia fixo de compras.
  5. Negocie volumes maiores com entregas parceladas, para ter preço de compra grande sem armário lotado.
  6. Conte alguns itens por semana, em rodízio, em vez de uma contagem gigante no fim do ano.

Alertas antes que falte ou vença

Na Clinio, medicamentos e materiais ficam organizados num só lugar, conectados ao atendimento. E o Morning Briefing avisa, todo dia, quais itens estão acabando ou perto do vencimento. Conheça o estoque da Clinio.

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