Parece contradição, mas acontece o tempo todo: o consultório dá lucro no papel e, mesmo assim, falta dinheiro para pagar a folha no dia 5. O fornecedor cobra hoje, o cartão paga em 30 dias e o convênio, em 60. O controle financeiro existe para que esse descompasso não vire crise.

Fluxo de caixa: o calendário do dinheiro

A DRE mostra se você ganhou. O fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entra e quando ele sai, dia a dia ou semana a semana. Só ele responde perguntas como:

  • Vou conseguir pagar a folha sem usar o cheque especial?
  • Se eu comprar aquele equipamento em três vezes, em qual mês o caixa fica negativo?
  • Quanto preciso guardar para atravessar um mês fraco?

A versão mais simples que funciona

Você não precisa de um sistema complexo para começar. Monte uma planilha com 13 colunas, uma para cada uma das próximas 13 semanas, e quatro linhas:

  1. Saldo inicial
  2. Entradas previstas
  3. Saídas previstas
  4. Saldo final

Atualize toda segunda-feira. Essa projeção antecipa problemas com até três meses de antecedência, que é o tempo necessário para resolvê-los com calma: negociar um vencimento, adiar uma compra ou reforçar a agenda das semanas anteriores. Descoberto na véspera, o mesmo problema só tem a saída mais cara de todas.

O dente de serra no saldo é normal. O que importa é o ponto em que a linha cruza o zero.

Capital de giro: a folga que compra tranquilidade

Capital de giro é o dinheiro necessário para bancar a operação enquanto o faturamento não entra. Ele existe porque material e salários são pagos antes, e cartão, convênios e tratamentos parcelados entram depois.

A forma mais rápida de ter uma referência é manter de dois a três meses de despesas fixas em reserva. Um consultório com R$ 40 mil de despesas fixas mensais deveria ter entre R$ 80 mil e R$ 120 mil disponíveis. Quem não tem esse dinheiro continua precisando dele, só que passa a alugá-lo do banco, em forma de juros e antecipação de recebíveis.

Três formas de precisar de menos capital de giro

  • Receber mais rápido: estimule Pix e débito, ofereça desconto à vista e cobre uma entrada em tratamentos longos.
  • Deixar menos dinheiro parado no estoque: cada dia a menos de material na prateleira é um dia a menos bancando a operação.
  • Pagar com mais prazo: negociar prazo com fornecedores costuma valer mais do que muitos descontos de preço.

Inadimplência: a receita que só existe no papel

Tratamento feito e não pago é prejuízo com cara de faturamento. Quatro medidas resolvem a maior parte dos casos:

  • Política escrita de formas de pagamento, entrada e parcelas, combinada antes do tratamento.
  • Cobrança no fechamento do atendimento, enquanto o paciente ainda está no consultório.
  • Lembretes cordiais antes do vencimento, no dia e depois do atraso. A maior parte da inadimplência é esquecimento, não má-fé.
  • Acompanhamento semanal da inadimplência como percentual da receita.

Comece o dia sabendo o que vem pela frente

Na Clinio, as contas a pagar e a receber ficam organizadas num só lugar. E, todo dia, o Morning Briefing mostra a projeção financeira do dia comparada ao mesmo dia da semana anterior, antes do primeiro paciente. Veja como funciona.

Os valores deste texto são ilustrativos. Para decisões de crédito e investimento, conte com o seu contador.

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